Ela entrou no quarto, não
havia ninguém além dela e o vazio que ocupava quase todo o espaço, olhou ao
redor e lágrimas surgiram em seus olhos.
Naquele dia a
garota lembrou de cada história, de cada sorriso, de cada bronca (não foram
muitas, mas tiveram algumas), das viagens, dos cheiros, sabores, do tutu, dos
aniversários, das bolsinhas de boneca da infância, do típico almoço de Natal,
das corridas para o hospital, da cor dos olhos, de cada "eu te amo"
dito, da pele sensível, de cada oração feita, dos sons, da cadeira que ela
costumava sentar pelas manhãs, as músicas que ela gostava, de cada ano vivido,
cada vitória e da gratidão que aquela mulher transbordava no olhar. A
mulher que se foi, mas que deixou ensinamentos, deixou um legado e está no
lugar que tanto ansiou, com quem tanto desejou estar.
Voltar ali depois
de um tempo, tempo esse que para a menina não passou nem um pouco rápido, doeu.
O medo dela era que fosse paralisada por isso, mas olhou para o céu e confiou
que tudo passaria.
A saudade sempre
estaria ali, mas com o tempo talvez aprendesse a lidar melhor, como um amigo
disse a ela.
Então decidiu sair
do quarto.

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